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terça-feira, 22 de abril de 2008

Cuidado com as medidas

Anunciada essa semana a liberação de medicamento (Rimonabanto®) para redução de gorduras, principalmente as abdominais, e já começam as generalizações que deixam a cabeça das pessoas confusas. O anúncio foi dado no domingo, em rede nacional em TV aberta, durante programa de reportagens, mas algumas considerações merecem destaque.
Algumas regiões do corpo desempenham função importante para a manutenção de sistemas fisiológicos integrados. A função reprodutiva, por exemplo, e entendamos reprodutiva como o fato de a pessoa ter condições de produzir gametas ( espermatozóides ou óvulos ) viáveis, capazes de gerar um novo ser, ou seja, nada tem que ver com a virilidade (que é o fato de a pessoa se estimular para a atividade sexual - ereção peniana ou lubrificação vaginal).
O tecido adiposo é um dos tecidos responsáveis por essa capacidade reprodutiva (não-sexual). Certas porções são responsáveis por permitir a produção dos gametas. Acontece que em excesso, esse mesmo tecido deixa de ser importante e passa a ser prejudicial, indicando que algo não vai bem no organismo. Até aí a reportagem foi boa. Mas a partir daí começam os entraves: como cada pessoa tem um metabolismo diferente, responde a variações corporais de maneira diferente também. As medidas para homens e mulheres anunciadas eram de 80 cm para mulheres e 90 cm para homens. Contudo isso não se aplica. Essas medidas vão variar com o aspecto de acúmulo de gorduras daquele organismo em particular; assim, haverá pessoas com 70 cm de circunferência abdominal - esse é o nome dessa medida - que mesmo sendo homem, estará com excesso característico de gorduras, embora não esteja enquadrado nas medidas gerais citadas na reportagem. Disso vão depender seu peso e sua altura, seu porte ósseo, seu metabolismo energético, entre tantos fatores.
Vamos agora ao medicamento: apresentado como responsável por ação no cérebro, em região de controle da fome, e no tecido adiposo diretamente, o remédio promete o milagre desejado por muitos. Acontece que centro de controle da fome no cérebro é uma região muito rica em várias funções, aumentando ou diminuindo o apetite de acordo com respostas vindas do estômago, do tecido adiposo, do intestino, e do momento de atividade física moderado ou intenso. São várias regiões que respondem diferentemente de acordo com o estímulo recebido, e para cada região, um estímulo e uma resposta. Acontece que acostumar estas regiões aos estímulos que deveriam estar recebendo mas não estão sendo de fato proporcionados (saciedade sem ter alimento no estômago, por exemplo), pode levar a problemas futuros implicados no fato de estimular em demasia essas regiões. Portanto, cuidado! Melhor mesmo é uma dieta equilibrada e exercícios físicos moderados, que demoram a dar resultados, mas que surpreendem para uma vida toda.
E se gordura causa impotência? Aí entramos na questão sexual (ereção e lubrificação dos órgãos genitais). Os estudos mostram que sim. Os hormônios sexuais (estrógenos, progesterona e testosterona são derivados do colesterol, que fica muito alterado em pessoas com grande massa de gordura. isso pode levar a uma deficiência na produção desses hormônios, pois em nosso organismo, os excessos são tratados com resistência: esse conceito é um pouco difícil, mas vou defini-lo assim - quando qualquer substância, mesmo as produzidas pelo próprio organismo são excessivas, o organismo cria um bloqueio a essa substância para não se prejudicar (pense numa mangueira soltando água em sua boca e você não pode engolir a água toda que sai por ela; chega uma hora que ou você abre a boca e deixa a água sair, ou você vai estufar as bochechas até que elas se rasguem). Essas substâncias então deixam de ser ben~eficas e se tornam prejudiciais, e não mais cumprem com suas funções, pois o organismo se defende delas. Logo, a função sexual vai ficar prejudicada.
Não acredite em tudo que você ouve, lembre-se sempre. Questione-se e reaja com críticas. Duvide e explore o melhor da ciência. eu ajudo a levantar os questionamentos, você faz a sua parte.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Estudo de 2007 sobre obesidade

Estudo do ano passado, realizado pela Freamingham Heart Study, instituição americana que reúne pesquisadores especialisados em doenças do coração, mostra que as relações sociais com pessoas obesas podem levar a aumento de peso. Os dados são impressionantes:


  • se você tem um amigo obeso, suas chances de se tornar obeso também aumentam em 57%;


  • se você tem um irmão ou irmã obeso, suas chances são de 40% de se tornar obeso;


  • já se você é casado com uma pessoa obesa, você pode ter 37% de chance de aumentar suas medidas.


A obesidade está diretamente relacionada com um índice criado pelo astrônomo Lambert Quetelet, entre as décadas de 1830 e 1850 (é isso mesmo, no século XIX!) . Esse índice é um indicativo de quanto há de gordura no corpo, ou seja, quantos por cento do seu corpo são formados por células adiposas (aquela barriguinha que incomoda, o culote que irrita, a papada no pescoço, enfim, aqueles quilinhos a mais...). Calculá-lo é fácil:

IMC = Massa (kg)/ Altura x Altura (m)

Para ler o trabalho completo, disponibilizo o link para o acesso. O trabalho é americano, com o texto, portanto, em inglês. Mas qualquer dúvida pode ser tirada aqui no blog. Vai o link



http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/custom/2007/07/25/CU2007072501607.html



Uma boa leitura a desse artigo, bem escrito, interessante.

sábado, 8 de março de 2008

Estarão os adoçantes ameaçados pela sacarina?

Falemos de vida moderna, cheia de prazeres e comodidades. Tudo prático, fácil... mas cuidado, pois facilidades de mais podem levar a um problema que tem acometido uma grande parcela da população mundial: a obesidade. Pelos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), são 31% de pessoas com sobrepeso só nos Estados Unidos.

Esses números são mais expressivos se considerarmos que grande parte dessa população é constituída de crianças e adolescentes, que desde muito cedo podem fazer parte das estatísticas que envolvem doenças relacionadas com a obesidade, entre elas problemas cardiovasculares, diabetes e até cânceres, sem contar nos problemas sociais e psicológicos que acompanham essa síndrome.

Importante frisar: síndrome sim, pois obesidade não vem sozinha, mas sempre traz com ela outras doenças, tão ou mais graves que ela em si.

Nas últimas semanas tem estado em pauta na mídia uma discussão acerca de estudos realizados na Universidade de Pardue, nos EUA, sobre o uso da sacarina, um ingrediente de muitas marcas de adoçantes, levar ao aumento do peso corporal: ela poderia ser a responsãvel pelo aumento da obesidade na população. Os dados divulgados no estudo, publicados na Behavioral Neuroscience, mostram que com o uso contínuo dessa substância, o organismo tem uma tendência a acular a energia que consumimos nas próximas refeições. Mas, por que isso acontece?

A sacarina é um composto sintético, derivada da petróleo (o mesmo petróleo que serve para produção de gasolina, asfalto, isopor), que estimula ainda na boca alguns receptores das papilas gustativas. Receptores são conjuntos de células como as que formam todo o nosso corpo, mas que são especializadas em levar informações para serem interpretadas pelo sistema nervoso e gerar uma resposta, que leva a uma modificação na fisiologia do organismo (alterações na forma como vai ser recebida uma certa substância, por exemplo, pelo organismo). Quando estes receptores são estimulados por açúcar, por exemplo, a resposta que é devolvida é uma preparação do sistema digestivo para a absrção e utilização desse açúcar, uma substância com grande quantidade de calorias, importante para que o organismo possa se manter.

Quando utilizamos a sacarina, que também tem sabor doce, mas diferente do ãçúcar, não contém calorias, ela estimula os mesmos receptores, mas como ela não é absorvida, embora o corpo tenha se preparado para a absorção de açúcares, o organismo vai mobilizar uma série de reações para poupar energia nas próximas refeições, uma vez que isso sinaliza que vai haver escassez de nutrientes. Essa energia armazenada é transformada em gordura, que é mais leve que a glicose e pode ser estocada em grande quantidade ocupando um menor volume. Por isso a sacarina pode levar ao sobrepeso.

Agora não podemos generalizar...

1. Nem todo adoçante é feito de sacarina. Em primeiro lugar não são todos os adoçantes que tem como ingrediente de sabor doce a sacarina. Existem uma infinidade de adoçantes e muitos podem ser facilmente encontrados nas prateleiras dos supermercados. Ao comprar adoçantes, procure na lista de ingredientes por produtos feitos com aspartame, flavonóides, ciclamato, entre tantos outros.

2. O estudo realizado não fala dos demais adoçantes. Ainda nenhum estudo foi realizado para elucidadr se os outros adoçantes no mercado levam o organismo a poupar energia como a sacarina. Há especulações sobre o aspartame ter essas características, mas não sou especialista nessa área e não posso dar certeza de que ele também seja responsável por sobrepeso a menos que leia estudos que digam que isso ocorre e mostrem resultados convincentes.

3. A sacarina é barata. Os outros adoçantes que não tem a sacarina como princípio ativo são mais caros e isso conta muito na hora da escolha do adoçante que será comprado. Pessoas com menor poder aquisitivo não vão usar flavonóides, que custam até 7-8 vezes mais que a sacarina.

4. A opção é diminuir os açúcares e não usar sacarina. Mantenha uma dieta equilibrada. Use e abuse nos sucos de frutas sem açúcares (naturais) e use menos açúcares na preparação de bolos e doces. Isso garante o prazer de comer e evita que esse composto sintético precise estar presente nas refeições diárias. Exercícios também contribuem para o bem-estar.

5. Se não houver jeito, substitua. No caso dos diabéticos, o melhor mesmo ainda é a substituição. Use adoçantes com outros princípios ativos e tenha prazer na hora de se alimentar, sem aumentar o risco das complicações diabéticas.

Dúvidas e esclarecimentos podem ser tiradas com profissionais de saúde e mesmo aqui nesse blog. Deixe seu recado, sua pergunta, sua dúvida, e tentarei responder o mais possível a respeito. Aproveitem esse espaço para levar informação útil e atualizada para seus amigos, colegas de trabalho, família, grupos