sexta-feira, 30 de maio de 2008
Vitória para a Ciência
Embora as pesquisas não estivessem estacionadas, esse era o passo fundamental para que elas respirassem aliviadas, ou para que não viessem a sofrer sanções futuras, caso uma decisão em contrário à avalização viesse a se processar, o que tonaria essas pesquisas ilegais, e os resultados anteriormente obtidos, isentos de ética.
Aos pesquisadores agora cabe o uso racional dessa tecnologia. As reportagens tem sido bem enfaticas ao mostrar os dois lados da questão: prós e contras existem em todo os lugares. Nesse blog somos a favor do uso dessas células, e portanto, estamos felizes com o resultado obtido ontem com a liberação. As mudanças provenientes na lei de biossegurança, agora, é que devem ser colocadas na mesa e discutidas, pois reservas devem sim ser feitas.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Biólogos como comunicadores
A maioria desses comunicadores geralmente tem uma formação dentro da área das Ciências Humanas, bastante teórica em sua estrutura, e isso gera dificuldades na compreensão da linguagem científica produzida pelos cientistas e pesquisadores das demais áreas do conhecimento.
Numa tentativa de resolver esse problema de imcompreensão e busca de sentido para a comunicação que deve alcançar o leitor, vejo o biólogo como ator no processo. Parte de seu trabalho pode ser justamente ser redator de enunciações que ele vê como essenciais e necessárias à divulgação para o público em geral. Mas, e não nos esqueçamos disso, essa "apropriação" da produção de comunicação feita por um biólogo deriva de um esforço pessoal em se comunicar e se fazer entender, que exige estudo e determinação, empatia e autoridade, compreensão e simplicidade.
O professor Wilson da Costa Bueno, da Universidade Metodista, concedeu uma pequena entrevista para tratarmos do tema. Wilson Bueno é docente do programa de pós-graduação dessa universidade e tem especialização em Jornalismo Científico. É autor de Jornalismo, Comunicação e Meio Ambiente, pela Editora Majoara, recentemente publicado. Acompanhe:
J&C -A Biologia é uma ciência de grande destaque nos meios de comunicação (impresso, televisivo) a cada salto surgido em suas áreas de pesquisas concentradas na resolução de problemas que marcam determinados momentos. Surge uma nova pesquisa, um novo a(in)cidente ambiental, e destaca-se o biólogo. Como um comunicador social vê essa relação dos biólogos com a mídia (externamente a ela)?
W.B. -Esta relação é , hoje, essencialmente positiva na medida em que, em função das pautas que incluem a Biologia e os biólogos, estes profissionais se tornam fontes indispensáveis. Esta parceria no processo de divulgação científica tem aproximado as duas áreas (Jornalismo e Biologia). Precisamos também de mais biólogos atuando como comunicadores.
J&C - Já quando se trata de divulgar a Ciência produzida, resultados obtidos, novas hipóteses e recentes teorias, vemos que a transposição do conteúdo científico (escrito por cientistas da área) para uma linguagem mais acessível ao público leigo leitor/ expectador em geral, é marcada por deslizes que comprometem o conteúdo exposto. Onde está o erro: nas explicações dadas pelos divulgadores das novas descobertas, ou na compreensão feita por quem reescreve de maneira mais simples o exposto?
W.B. -Os deslizes costumam ser cometidos por ambas as partes. Muitas vezes, os pesquisadores, os cientistas etc não se dispõem a um trabalho de parceria, não compreendem o objetivo de um trabalho de divulgação e se recusam a “descer do pedestal”, o que contribui para a incomunicação em virtude do discurso hermético e da complexidade natural do campo. Já muitos jornalistas e divulgadores pecam ao tratar questões complexas com displicência, sem atentar para os conceitos e processos envolvidos e, desta forma, desqualificam a cobertura, induzem a audiência (leitores, telespectadores etc) a uma leitura equivocada, incompleta, errônea. Mas esta situação já foi menos favorável e temos observado uma mudança positiva nos últimos anos, talvez porque ambos os lados se deram conta de que é preciso trabalhar em parceria e estão mais dispostos a democratizar o conhecimento.
J&C - Seria o caso de um cientista (biólogo, no nosso caso) fazer o papel de divulgador e disseminador de informações científicas? Essa competência lhe compete?
W.B. -O cientista deve, a meu ver, exercer também o papel de divulgador, visto que deveria estar comprometido com a democratização do conhecimento, a inclusão dos diversos segmentos sociais no debate das questões de ciência e tecnologia. Se ele não se dispõe ou não tem oportunidade de atuar como divulgador na mídia, deveria ao menos produzir textos, livros didáticos, proferir palestras ou mesmo estar disposto a interagir com a imprensa para contribuir para este processo de alfabetização científica.
J&C - Até que ponto pode o profissional biólogo se ver engajado na área comunicativa? Um profissional com esse perfil deve ter quais características? Que visão de mundo deve compreender sua formação?
W.B. -O biólogo, como todo profissional, exerce naturalmente esta função porque se comunica com os seus pares, com seus colegas e muitas vezes com seus alunos ou subordinados em uma empresa, mas é necessário capacitar-se e estar disposto para um trabalho mais amplo de divulgação. É fundamental para isso que ele reconheça as dificuldades que o “outro” tem de entender o discurso técnico-científico, compreender a essência do processo de divulgação e em particular o sistema de produção jornalística, a cultura jornalística em particular. Nosso mais importante jornalista científico, José Reis, era um biólogo.
J&C - Dos obstáculos que podem surgir na formação de um biólogo-comunicador, quais você vê como as principais dificuldades encontradas por esse profissional que abriga uma nova condição de ciência (a Ciência Lingüística)?
W.B. -O obstáculo maior é o biólogo não estar disposto a se colocar na posição do outro, não estar consciente de que o analfabetismo científico é uma realidade em nosso país e que ele tem esta função ou missão de informar. Se ele assumir esta perspectiva, buscará entender o universo lingüístico ou de conhecimento do público e estará empenhado em se fazer entender e em contribuir para a alfabetização científica e debate da política de ciência e tecnologia.
J&C - É possível que esse profissional seja responsável pelos mesmos erros cometidos por um comunicador social não “cientifizado” (vou usar esse termo para indicar quem não é cientista-biólogo)? Em que isso pode comprometer a ética determinada para a área em que se graduou e em que atua?
W.B. -Na verdade, o fato de ser um biólogo não garante que ele domine toda a área, assim como, por exemplo, um médico não domina toda a Medicina, embora esteja, mais do que o cidadão comum, familiarizado com determinados conceitos e processos e, portanto, encontre menos resistência ou dificuldade para lidar com temas complexos. O fundamental é ter em mente que o processo de divulgar implica também na competência em comunicar e que o problema não é apenas de conteúdo.
J&C - Que programa buscar para se qualificar como comunicador? As ofertas são grandes nas universidades brasileiras? Onde ir? Quem procurar? De que temas tratar?
W.B. -Tem crescido a oferta de cursos para a formação do jornalista e do divulgador científico e é possível indicar o curso de especialização , e agora também o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo Científico, da Unicamp. A Fiocruz tem dado abertura a projetos nessa área e há outros programas de pós-graduação em comunicação no Brasil que abrem espaço para projetos em divulgação científica, como o da UMESP, por exemplo.
J&C - Qual sua visão pessoal sobre a inserção de biólogos na pesquisa comunicativa?
W.B. -Acho extremamente positiva. Além do José Reis, nosso decano, posso citar, por exemplo, o Eduardo Geraque, da Folha de S. Paulo, um biólogo com um trabalho absolutamente competente nesta área. Precisamos desta inserção, seja de biólogos, físicos, químicos ou cosmólogos, como o Marcelo Gleiser. Esta é uma área fundamental para o país que tem um ensino de ciências tão precário e precisa obrigatoriamente incluir os cidadãos no debate das questões de ciência e tecnologia que, mais e mais, impactam suas vidas (células-tronco, automação industrial, transgênicos, mudanças climáticas, nanotecnologia etc etc).
Um agradecimento especial ao professor Wilson Bueno, da Universidade Metodista, por nos conceder parte de seu tempo para a divulgação dessas informações.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
A importância da preservação ambiental
Numa tentativa de driblar esse “ecologismo” e trazer um pouco de luz para a importância de se preservar o ambiente, vou utilizar o trabalho de dois autores, uma publicação de 1982, de Terry Erwin (1), e um mais recente, publicado na Science, Lambais et al (2006) (2). Ambos os trabalhos refletem uma problemática bem estarrecedora: quantas são as espécies de organismos existentes no mundo?, ou seja, quantas espécies ainda não descritas o ser humano ainda está por conhecer.
Erwin analisou a quantidade de besouros existentes em árvores da floresta Amazônica. Para isso, coletou e contou os indivíduos de diferentes localidades e diferentes espécies de árvores, para saber quais espécies se relacionam diretamente com a espécie analisada e naquele local específico. Para que você que me lê entenda o trabalho, com essas coletas, ele procurou ver a relação existentes entre as espécies animais e vegetais e o número de espécies que se relacionam.
Acredita-se que o número de espécies que existem no mundo hoje, por modelos extrapolativos (modelos que deduzem quantas espécies existem sem de fato se ter contado todas elas) fique em torno de 10 a 100 milhões de espécies! Parece absurdo esse número e se tem uma margem de erro muito grande em uma faixa tão desencontrada de algarismos, na casa de 10 vezes entre um e outro, mas o importnate é que se conhecem em torno de 1,8 milhões, um número muito inferior a menor densidade prevista.
No trabalho de Erwin, em uma das coletas, em uma única árvore, foram coletadas 1.200 espécies de besouro em uma única espécie de árvore. Dessas espécies, 14% só são encontradas nessa árvore, e em nenhuma das demais, mesmo as que se encontravam ao redor dela. Vamos ter de fazer contas:
- Acredita-se que existam somente na Amazônia cerca de 50.000 espécies de árvores. Bom, como 14 % de um total de 1.200 espécies (só de besouros), números do exemplo de Erwin, correspondem a 163, vamos supor que cada árvore da Amazônia abrigue esse mesmo número de espécies: 163 x 50.000 = 8.150.000 de espécies de besouros.
- Vamos um pouco mais além nas considerações: os besouros são um grupo correspondente a 40% das espécies de insetos que encontramos na natureza. Portanto, para sabermos somente a quantidade de insetos existentes, vamos deduzir os 60% restantes:
40% de espécies são besouros --------------------- e somam 8.150.000 espécies
100% de espécies de insetos --------------------- x espécies
x = 20.375.000 espécies
Ou seja, somente de insetos, existiriam mais de 20 milhões de espécies no mundo.
Já sei, você acredita que esse número é muito absurdo. Claro que é! Não se esqueça que estamos extrapolando o número de espécies a partir de um evento de uma floresta tropical, com condições de hábitah insuperáveis em qualquer outra região do globo.
Agora vamos analisar o segundo artigo. Mas antes, deixo claro que ele corrobora os dados encontrados por Erwin para uma segunda classe de organismos. Nesse artigo, Lambais et al (2006) estudando a filosfera (o nome se refere às folhas da floresta como um bioma particular), encontraram a existência de espécies de bactérias nas folhas de espécies arbóreas da Mata Atlântica, entre 95 e 671 espécies de bactérias, das quais apenas 0,5 é comum tem sobreposição na filosfera. Imagine menos de 1 bactéria sendo encontrada em espécies de árvores dessa floresta? A estimativa fica em torno de (até) 13 milhões de espécies de bactérias, apenas na Mata Atlântica!!!!
Bem, vejamos: se o número de espécies em um local tão raro com uma árvore de um local não anteriormente descrito, ou da folha de uma árvore, é tão grande, que dizer de todos os ambientes diferentes que existem na biosfera?
Aqui é que coloco o fato da preservação dos ambientes. Quando você permite que uma árvore seja derrubada, pode ser que muitos dos seus desejos sejam atendidos: espaço, iluminação, conforto, praticidade. Porém se em uma única folha encontramos tantas espécies, imagine nos 97% de Mata Atlântica que já não existem mais? Sim, o homem pode ter destruído um número bem significativo de espécies ao derrubar a mata para construir parques industriais, ou pode ter levado à extinção um grande número de espécies por represar um rio. No seu quintal podem existir milhares de seres vivos que a Ciência desconhece, e você pode estar querendo dizimá-las por vontade de ter uma piscina. Sensacionalismo, eu sei, mas se você acredita que eu seja sensacionalista, eu o vejo como um ventríloco, e todo o ambiente é sua marionete, que você guia a bel-prazer.
Erwin já falava sobre isso em um comentário em texto que se encontra em Biodiversidade (1997) (3), de sua autoria, comentando esses números tão fantásticos e polêmicos que partilhou com o mundo. Escreve ele:
"Estamos adquirindo rapidamente uma nova imagem da Terra, e ela está cheia de milhões de espécies que estão a ponto de serem substituídas por bilhões de pessoas famintas, asfalto, tijolos, vidro e barro vermelho inútil atacado pela erosão da força do sol tropical. Muitas forças da evolução afetaram os besouros [...] e muitas outras formas de vida do planeta. Muito mais tarde na escala do tempo geológico, uma nova força propulsora apareceu, os humanos." (in WISON, 1997)
PENSE NISSO!
1. ERWIN, T. L. 1982. Tropical forests: their richness in Coleoptera and other Arthropod species. Coleopt. Bull. 36(1): 74-75.
2.
3. WILSON, E. O. et al. Biodiversidade. Trad. Marcos Santos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Vírus HPV
Em homens e mulheres o HPV é o responsável por causar uma doença conhecida como “crista de galo”, dada a quantidade de verrugas provocadas pela multiplicação das células infectadas, que aumentam rapidamente. O contágio, segundo o estabelecido pelas pesquisas, se dá por contato direto com pessoas infectadas com o HPV. Mas nem sempre aparecem sinais de infecção: em 90% dos casos, o organismo elimina o vírus sem que a pessoa tenha sequer notado estar infectada, mas já pode transmitir o vírus.
Nas mulheres, leve coceira, corrimento ou dor na relação sexual podem ser sinais de infecção. Mas a doença de fato só acomete umas poucas mulheres, e nas demais o próprio organismo se encarrega de liquidar o vírus.
Dos casos confirmados da doença, menos de 1% podem ter uma complicação da enfermidade, que gera o câncer de colo do útero. Com porcentagem tão baixa, o simples uso de preservativo seria suficiente para eliminar esses casos, além de prevenir contra uma série de outras doenças transmitidas pelo ato sexual direto. Não bastasse isso, é importante que você que faz sexo oral ou anal tenha cuidado, pois como essa família de vírus ataca principalmente mucosas, você pode ter algumas das complicações na boca ou no canal anal.
Da família viral dos papiloma, cerca de 100 vírus são identificados como infecciosos para o ser humano. Muitos deles são eliminados, e condições de estresse ou gravidez, que deixam o organismo sensível, são suficientes para uma infecção maior, ou para o desenvolvimento de câncer de colo do útero. Previna-se.
Nota: Aqui o termo câncer de colo DO útero está sendo assim empregado por existirem outros cólons orgânicos, ou seja, o colo do útero é apenas um desses colos. Em reportagens lidas para a postagem dessa matéria, verifiquei que muitos autores escrevem câncer de colo DE útero, que pode gerar confusão no entendimento do termo. Para evitar a confusão, opto pelo uso do termo com artigo anterior à palavra. Não vejo erro na grafia sem artigo, mas vejo a possibilidade de discrepâncias.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Natureza cenográfica
Em análise do discurso (AD) essas entrelinhas são chamadas de interdiscurso. As variantes de uma mesma sentença, no todo significativo, são as polissemias. Quanto se diz com uma mesma sentença? Muito, isso é certo. E nem sempre o próprio autor é capaz de perceber que disse mais que aquilo que planejou: esse é o esquecimento, mais um recurso da análise de discurso.
Nas imagens animadas (os vídeos principalmente), muito se pode usar dessa linguagem interdiscursiva e polissêmica. O resultado é bastante interessante.
No link abaixo se pode ver um clipe interpretado por christina Aguilera, Fighter, que usa muito dos recursos de interdiscurso nas cenas... e que dizer da polissemia! Vou relatar de forma simples e não exaustiva, mas veja o clipe e se aprofunde na análise. Há muito de bom, em linhas gerais, em se intencionar, como vou chamar, aquilo que abertamente não é convencionado se dizer.
Na abertura uma mariposa. Não vou entrar em questões de gêneros e descrições, pois isso não nos convém nesse momento. Contudo, as mariposas são seres muito frágeis, fáceis de capturar e muito utilizados como artigos de colecionadores. Melhores são aqueles indivíduos que não estão machucados, com ausência de pernas ou antenas.
Seu ciclo de vida é retratado no clipe do começo ao fim. Sua fase larval, e a busca incessante de fuga das formigas, que assolam o corpo do animal quando este não está íntegro e indica que o animal não vai sobreviver por muito tempo. Fighter é um substantivo interessante, tr
aduz-se por "lutador". Não é isso que fazem as pessoas que se sentem presas a situações difíceis; pobreza, violência, paixões, trabalho, rotina. A mariposa são esses que sofrem e buscam se libertar. Alguns conseguem: no momento 1min05s a mariposa destrói o vidro que a prende, e pode então fugir. Quantos laços são rompidos nessa hora não estimo ao certo. Mas todo o sentimento de opressão, de sufocamento, de angústia e de passividade se esvaem, e inicia-se uma nova fase, de perda dos grampos, de liberdade e renovação.Nem tudo é perfeito. No clipe as formigas aparecem se alimentando de partes de organismos (talvez outras mariposas, como as da cena principal). Mas é bom lembrar que as formigas não se alimentam de organismos, como é de se supor quando se vê essas trabalhadoras incansáveis carregando pedaços para dentro do formigueiro. A impressão inicial que se pode ter é de que levam esses pedaços para um distribuição para os indivíduos que formam a colônia, mas isso não se aplica. Na verdade as formigas carregam esses pedaços para alimentar os fungos que crescem associados ao formigueiro, um para cada tipo de formiga, ou seja, existe um fungo diferente para cada ninho, para cada espécie de formiga. E é desses fungos e de seus produtos metabólicos que se alimentam esses insetos.
Observe os alfinetes entomológicos muito bem lembrados pelo autor. Os mesmos alfinetes que prendem o organismo pelo dorso representam o terceiro par de pernas das formigas (muito interessante essa colocação) A prisão se dá em vida. O indivíduo agoniza por sua impossibilidade, por suas fraquezas, por sua ineficácia frente ao obstáculo. Mas como ele pode ser rompido, e desaparece o obstáculo, também os grampos podem ser retirados, e a vida se faz novamente. A mariposa empupa, o velho se renova e ganha novos ares, nova roupagem, nova vida. Se desprende e vai viver. Vai fazer o mundo mais belo e preenche o vazio.
O texto tem referência no momento de enunciação. Isso fica claro na atemporalidade do texto, expressa na primeira estrofe:
After all you put me through (Depois de tudo que passei)
You´d think I´d despise you (você poderia pensar que eu me desfaço de você)
Perceba que o momento se destaca pela enunciação, pelo momento em que fala o autor. Esse embreante temporal falta, está ausente. Por outro lado temos outro embreante, o de enunciação, marcado pela primeira pessoa (I = eu). O coenunciador é um você que pratica uma ação da qual se reflete todo o enunciado do texto:
How could this man I thought I knew (Como pôde esse homem que eu pensei soubesse)
Turn out to be unjust, so cruel (Deixar de ser injusto, tão cruel)
Em fighter (lutador) temos um ethos estabelecido. Observe que são os embreantes temporais, aliados à não-pessoa do coenunciador que traz a motivação de o enunciador, a pessoa que fala, se tornar um lutador. A seqüência de adjetivos atribuídos ao enunciador por conta do momento da enunciação articulado pelos embreantes temporais, tem origem na cena:
Makes me that much stronger (Faça de mim mais forte)
Makes me work a little bit harder (faça-me trabalhar mais duro)
It makes me that much wiser (Isso me faz sábia)
So thanks for making me a fighter (Obrigada por fazer de mim uma lutadora)
Made me learn a little bit faster (fez-me aprender mais rapidamente)
Made my skin a little bit thicker (fez de minha pele mais grossa)
Makes me that much smarter (faça-me mais esperta)
So thanks for making me a fighter (Obrigada por fazer de mim uma lutadora)
Linda a utilização desse organismo na construção simbólica do desenlace. Da fragilidade à potencialidade. Imagine sua vida dessa mesma forma. Procure as amarras, estilhasse o vidro e liberte-se. Para uma nova vida, isso com certeza.
O vídeo pode ser visto no link que segue:
http://www.youtube.com/watch?v=xB7pQpNx-F4&feature=related
Ou veja por aqui mesmo, clicando no box abaixo:
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Ecologia do Rio Paraná
curso do rio vamos encontrar no lado paranaense as cidades de Porto Rico e São Pedro, onde concentraremos os dados aqui informados. Nessa região encontramos uma ampla área utilizada por fazendeiros e ribeirinhos, mas que constitui uma Área de Preservação Ambiental (APA), onde existem grandes divergências pelo domínio da terra e conservação da biodiversidade.Uma planície alagável é uma região onde o regime de cheias do rio, provocado pelas chuvas que aumentam o nível da água do corpo d'-água e os limites do período de seca na planície, geralmente ocupado por gramíneas e pequenos arbustos, e essa água toda extravasa para as margens e toda a planície fica coberta por alguns meses, até que as águas baixem e a vegetação ocupe novamente essa região.
No alto rio Paraná identificamos em um corte do terreno alguns limites originados em tempos geológicos anteriores, devido a deposição de sedimentos sobre o arenito (Arenito Caiuá). O movimento de intrusão do rio se dá no sentido MS-PR, ou seja, o mesmo movimento de deposição de materiais no passado continua a ocorrer no presente, ocorrendo um desgaste do paredão no lado paranaense e uma lixiviação desse material que se deposita na outra margem do rio. Se observa que ao longo dos últimos dez anos de pesquisa, os degraus existentes no curso do rio vem se mostrando de profundidades menores a cada amostragem e mensuração refeitas. Ao longo de alguns milhões de anos, o rio terá uma nova região de intrusão, cada vez mais para o interior do Paraná.
Esse movimento das águas é importantíssimo para a biodiversidade local e a renovação da biota ali existente. O subir e descer das águas determina a morte da vegetação e a migração das populações terrestres da área de várzea (que fica debaixo da água na cheia), garante a sobrevivência de grande número de espécies de peixes que desovam nesse período nas lagoas isoladas nas temporadas de águas baixas, que são unidas ao rio do período de cheiase a fertilidade do solo das margens da planície, composta por gramíneas, principalmente, sem grande quantidade de biomassa disponível para aumento da quantidade de matéria orgânica para formação de húmus.
Perfil do terreno e da vegetação da região

Na figura 2, observamos um corte transversal do terreno no sentido MS-PR. As áreas numeradas indicam o escalonamento existente no perfil, com as partes mais altas na periferia do lado matogrossense, na formação Taquaruçu, e no lado paranaense, onde o arenito Caiuá se deposita sobre o basalto. Em 1 predominam as formas arbóreas de palmeiras, que não formam um dossel contínuo. Encontramos principalmente (mas observe que nem todas as formas vegetativas aqui citadas sao palmeiras, dada a diversidade local) a embaúba, ingás e tucuns (palmeira espinhenta), estas últimas em campos abertos, formando touceiras.
Mais abaixo (em 2) predominam árvores intermediárias, de porte não menos vigoroso, mas que tendem a se aproximar das espécies com adaptações
para o alagamento. Já em 3, na planície alagável, predominam as gramíneas e pequenos arbustos, geralmente Cyperaceae, pioneiras de colonização. Este último estrato é denominado ripário (todo tipo de forma vegetativa floral que se estabelece em torno de corpos d'-água). Outro tipo de vegetação ripária é a mata ciliar, que nesse ambiente tem como principais representantes a embaúba, adaptada à elevação do nível da água, os ingás, o amarelinho (estes dois últimos Leguminoseae), lianas, que são muito freqüentes em ambientes alagáveis ou perturbados, e epífitas, principalmente as do grupo das bromélias. Aparecem limoeiros e mangueiras, espécies introduzidas na passagem dos jesuítas pela região.A porção 4 é o rio Paraná. Sua extensão é cortada por ilhas, o que o faz um rio anastomosado tendendo a entrelaçado. São observadas manchas de macró
fitas (plantas aquáticas) de diversas espécies e com diferentes adaptações: Cabomba, completamente submersa, Hydrilla, uma espécie asiática introduzida, Eichhornia, os conhecidos aguapés, Nymphaea, Salvinia, esta última completamente flutuante, com uma pequena porção d
e suas folhas modificadas para a retirada de nutrientes minerais da água.Do lado paranaense, aparece a formação Caiuá. Se no Mato Grosso do Sul o predomínio vegetativo é da floresta semidecidual aluvial, com adaptações para a cheia do rio Paraná sobre a formaçaõ Caiuá no Paraná predomina a floresta estacional semidecidual, com árvores mais baixas em relação às demais existentes na periferia da formação. Formam um dossel espesso e a vegetação é bastante umbrófila, dada a dificuldade de penetração dos raios solares através do dossel. Perobas, ingas, genipapos, formigueiros, mirtáceas, rubiáceas, leguminosas são espécies tipo encontradas. As figueiras alcançam o alto do dossel, e suas raízes tabulares formam um entrelaçado que dá a impressão de serem um único indivíduo reproduzido por rizomas.
A fauna da planície
Para quem se detém a observar os sons da mata vai perceber que os animais nela existentes são em número muito grande. Comecemos pelos habitantes das águas do rio Paraná, que habitam desde a profundidade do rio por toda sua extensão, até as lagoas que formam os corpos d´-água no interior das ilhas, ou ladeando os diques marginais, onde a floresta é abundante. Comunidades tem proteção, abrigo e alimentos oferecidos pelo emaranhado de macráfitas que ocupam o rio, formando manchas, e criando um ambiente ideal para a sobrevivência dos peixes. Agostinho et al (2004) apontam a existência de 176 espécies registradas de peixes, dos quais se destacam curimbas, dourados, pintados, piracanjuba, 2 espécies de piranhas, piau.
Diversas espécies de anfíbios, répteis, aves e mamíferos são divisados na mata. Encontram-se 58 famílias de pássaros, 60 espécies de vertebrados, estes últimos categorizados em 25 famílias, uma série de nematóides, gastrópodes e ostrácodas. Nos afluentes do Paraná, como no rio Baía, com suas águas negras, espécies de raias de água doce podem ser vistas em banhos de sol, enquanto se navega em direcao ao MS. Já na mata, são registrados o aparecimento de onças, cachorros-do-mato, tapires, veados mateiros e os conhecidos porcos-do-mato, que atacam sempre em bandos.
O rio Paraná
O rio Paraná tem uma extensão de aproximadamente 4000 Km (a literatura fala em 3998 Km). É o nono rio em extensão mundial, muito próximo de rios como o Mississipi, na América do Norte, e o Ganges, asiático. Em sua foz são liberados aproximadamente 16.000 m³ a cada segundo. Se considerarmos que uma pessoa leve 5 segundos para um reflexo respiratório total (inspiração e expiração), a cada vez que essa pessoa respira, 800.000 litros de água são liberados pelo rio Pa
raná. O pôr-do-sol na cidade de Porto Rico leva quase cinco minutos para ocorrer totalmente (o sol leva 5 minutos para desaparecer no horizonte, quando já está baixo). Se você estiver parado em frente ao rio para observar esse fenômeno belíssimo oferecido pela gratuidade da natureza, provavelmente terão passado por você 48 milhões de litros de água, que chegarão ao oceano Atlântico na desembocadura na Argentina, muito além do Uruguai.De área navegável temos aproximadamente 1.740 km (43,52%). A totalidade da extensão está impedida por barragens, como a de Porto Primavera, no estado de SP, e Itaipu, no PR. A pesca ocorre em diversas localidades, e o lazer é ofertado por diversas empresas que prestam serviço de canoagem, turismo e mergulho.
Os impactos ambientais
De longe as construções de barragens são o maior causador de degradação para essa região. Esses reservatórios impedem que a vazão natural seja mantida, diminuindo seu fluxo em até 70% [para qualquer curso d´-água, segundo Tundisi, (2003)]. As chamadas escadas de peixes são um segundo obstáculo, acoplado às barragens, criadas para que os peixes migradores possam subir sem atravessar a barragem pelo centro e possam desovar nas lagoas ao longo do curso dos rios; isso nem sempre acontece. Com o impedimento da vazão natural, as cheias que promovem a renovação da biodiversidade e a reprodução de várias espécies não ocorre de forma natural. Os reservatórios podem ter as comportas fechadas se o nível da água estiver baixo e serem abertas se os níveis forem altos. Para os peixes migradores, que acompanham a correnteza rio acima, e que desovam nas lagoas, muitas vezes essa mudança nos níveis das águas impedem a desova, ou o desenvolvimento da prole, ou mesmo seu retorno (como o dos pais) rio abaixo. A mortalidade é muito alta nesses casos.
As áreas utilizadas no cultivo e para pastagens são um terceiro fator de impacto. A mata é muitas vezes dizimada para a abertura de ca
mpos de pastagens, o uso de fertilizantes e pesticidas acaba por poluir as águas e contribui com a morte de diversas espécies de peixes e com o processo de eutrofização, pelo aumento da quantidade de matéria orgânica disponível para as macrófitas. Com a dificuldade de penetração da luz solar no corpo d´-agua, a fotossíntese nas plantas submersas se torna improvável, os peixes e organismos aquáticos não têm de onde obter oxigênio e acabam morrendo.Como as áreas de campos no primeiro domínio da planície é coberto por gramíneas e pequenos arbustos, e como as demais áreas são cobertas por vegetação espessa, não é
raro a ocorrência de queimadas devidas a diversos fatores. No período de vazante do rio, em que as cheias já regrediram e o nível do rio permanece por vários meses baixo, não há limitantes na contenção de qualquer rastro de fogo que se alastre por pequena parcela da vegetação. Os estragos são sempre muito grandes.É nosso, então vamos cuidar
Já parou para pensar em como você perde horas cuidando do que é seu? A natureza é uma parte dessa ecologia. A ecologia que vem da "casa" grega, uma casa que inspira cuidados e proteção para se manter para as gerações que virão. Cuide do que é seu!
Referências
AGOSTINHO, A. A; THOMAZ, S. M.; GOMES, L. C. Threats for biodiversity in the floodplain of the Upper Paraná River: effects of hydrological regulation by dams. Ecohydrol and Hydrobiol v. 4, n. 3, 267-280, 2004
TUNDISI, J. G. Água no século XXI: enfrentando a escassez. Sao Carlos: RiMa, IIE, 2003.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Depois da tempestade, a bonança!

Nessa manhã de 23-04-2008, gotas marejavam as folhas das plantas (foto), o chão, o teto e vidro dos carros, o telhado das casas. orvalho, o nome desse fenômeno, e é lindo de se ver.
Em Maringá, na última segunda-feira, uma chuva de granizo na cidade levou a população ao delírio e ao desgosto. Embora o espetáculo seja belo, os resultados de sua passagem podem ser terríveis. E foram, de fato. Ruas e casas ainda mostram os estragos causados pela tempestade.
O orvalho ocorre quando a umidade (que tem de estar bastante alta, com o ar saturado de água) se condensa (assim como nas nuvens) quando em contato com superfícies frias. Isso forma gotas, que podem ser pequenas ou grandes, dependendo da quantidade de água que estava no ar.
Esse orvalho, diferentemente do granizo, só é prejudicial quando a superfície, de tão fria, congela as gotas, dando origem ao fenômeno da geada, que é um capítulo a parte.
Espetáculo bonito, o nascer do sol dá tons ainda mais vigorosos, iluminando as gotas que se desprendem e molham o chão. Vislumbre você também.
